sábado, 6 de dezembro de 2008

Um pouco de história...PARTE 3

Por: Dani Violim
É pessoal..falar da história desse GIGANTE leva algum tempo mesmo, pois não é qualquer história de beira de esquina. Prometo que mais umas 17 ou 18 partes e, terminamos. Ou não! Rss..
Vamos lá...
Como em um passe de mágica, pularemos os anos de 1921 a 1925, quando nada de mais importante aconteceu. Estamos no ano de 1926.
Desde que passara a fazer parte da APEA, o Paulistano travara com a entidade uma "guerra fria", porém declarada. Na verdade, o real motivo deste time era reinar absoluto no futebol paulista. O fato é que outros fortes clubes surgiam, entre eles o nosso Palestra Itália. Assim, sentindo sua hegemonia se arranhando cada vez mais, neste ano (1926) o Paulistano pediu licença à APEA, no que foi prontamente atendido.

UM TIME CEM POR CENTO

O Palestra Itália, consciente das reais intenções do rival, manteve-se fiel à APEA. E se deu bem. Sem o Paulistano, a equipe só tinha um grande adversário pela frente: o Corinthians. Mas naquele ano, ninguém foi capaz de deter a força daqueles ítalo-brasileiros. Basta verificarmos a campanha final do Palestra Itália: em nove jogos, nove vitórias, ou seja, 100% de aproveitamento. E ainda tivemos o artilheiro da competição: Heitor, com 18 gols.
Ainda neste ano, outro fato importante foi a conquista do primeiro título honorário de CAMPEÃO DO BRASIL. Como não havia uma competição em nível nacional, a CBD (Confederação Brasileira de Futebol, entidade que comandava o futebol nacional na época) organizou uma partida entre os campeões paulista e carioca. Nosso adversário foi o São Cristóvão. Jogando em São Paulo, o Palestra venceu por 3x1 (2 gols de Imparato e 1 de Tedesco) e garantiu a condição de melhor time do País.

Em 1927, o Santos montou seu primeiro grande esquadrão. Mas por que falar do Santos? Bom, é que neste ano, o Palestra Itália conseguiu algo que repetiria quatro décadas depois (anos 60): foi o único a parar a equipe praiana. Durante o torneio, as duas equipes lutaram rodada a rodada pela liderança e, na penúltima, o Palestra estava um ponto atrás do adversário.
Ao Santos só restava esse partida, pois havia disputado uma fora da data prevista. Assim, bastava-lhe mais uma vitória para garantir aquele que seria seu primeiro título regional. E jogando na Vila Belmiro, a conquista era mais do que certa.
Opa!! Mas e do outro lado? Ah..pois é, estavam os bravos palestrinos. Em partida que aconteceu já no ano seguinte (1928), começamos melhor e marcamos 1x0 com Tedesco. Siriri empatou para o time da casa e, na etapa final, o Palestra chegou aos 3x1 com gols de Lara e Perillo e, quando Camarão descontou para o Santos era tarde demais: as faixas já estavam sobre as camisas verdes e a taça em nossa Sala de Troféus. Vale lembrar que Heitor ainda desperdiçou um pênalti (os gênios também erram).

POLÍTICA E FUTEBOL

Independente de gostarmos ou não de política, ela faz parte de nossas vidas. E na vida de um Clube de Futebol, que normalmente movimenta paixões por onde passa, a Política costuma se fazer presente em vários momentos. No caso do Palestra Itália, ela influenciou em muitas ocasiões, como em 1932.
Neste ano, o Brasil estava em ebulição. São Paulo lidera movimento para que o Presidente convoque a Assembléia Constituinte para dar ao Brasil uma Constituição democrática. Eclode uma guerra civil no País, conhecida como Revolução Constitucionalista.
Neste período, o Paulistão, que seria disputado em sistema de pontos corridos e em dois turnos, teve de ser interrompido ainda no primeiro turno. Não fez muita diferença ao Palestra Itália, que tanto antes como depois da paralisação manteve uma campanha impecável. O time venceu as 11 partidas que disputou (mais um 100%). O grande destaque daquele time foi um dos maiores atacantes palmeirenses de todos os tempos: Romeu Pelicciari com 18 gols.

A CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO DO PARQUE ANTÁRTICA

A grande fase palestrina estava apenas começando. Ser dono do seu próprio local de jogos e treinamentos ainda era algo invejável no começo dos anos 30. Em 1933, treze anos após ter adqüirido o Parque Antártica, aquele que era o campo de futebol mais bem localizado de São Paulo transformou-se no maior e mais bem planejado estádio de futebol do Brasil.
A diretoria do Clube demoliu tudo o que havia de velho no local e construiu moderna arquibancada de concreto armado, uma maravilha para a época, com capacidade para 30 mil lugares. E mais, separou o gramado destas arquibancadas construindo um alambrado, o que tornou a segurança de jogadores e árbitro muito maior. A inauguração do "estádio" Palestra Itália se deu no dia 13 de Agosto de 1933. Tal data nos deu muita sorte: ganhamos de 6x0 do Bangu-RJ, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo que, naquele ano, foi disputado pela primeira vez.
Mas isso é assunto pra um próximo post....muita coisa boa aconteceu a partir desta data.

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